A Capacidade Física de Força nas Lutas e Artes Marciais

04/04/2012 23:11

A Capacidade Física de Força nas Lutas e Artes Marciais

 

Entenda que há diferentes tipos de força muscular e qual o tipo de força

mais desenvolvida ao praticar lutas e artes marciais

 

Primeira parte: Vamos entender o que são Capacidades Físicas

 

Quando há procura pela prática de atividades físicas, um dos objetivos que se tem é a melhora do condicionamento físico. Dentro do condicionamento físico envolve o trabalho de várias capacidades físicas. CAPACIDADE FÍSICA é qualquer atributo físico que pode ser desenvolvido através de um treinamento específico.

 

Qualquer indivíduo tem o potencial para desenvolver estas capacidades, podendo possuir influências genéticas para desenvolver mais um tipo de capacidade do que a outra, e é claro, também tendo a influência do tipo de treinamento que o indivíduo pratica.

 

Busca-se manter ou aprimorar estas capacidades com o objetivo de manter uma boa qualidade de vida, ou também para melhorar o rendimento esportivo.

 

São QUATRO as principais CAPACIDADES FÍSICAS. Suas definições básicas:

 

RESISTÊNCIA: é a capacidade que temos de realizar um esforço por um período prolongado.

 

FLEXIBILIDADE: é a amplitude de movimento máxima de uma articulação.

 

VELOCIDADE: capacidade de deslocar o corpo ou um membro do corpo num menor espaço de tempo possível.

 

FORÇA: é a capacidade de vencer uma resistência oposta ao movimento executado.

 

 

Segunda parte: Força muscular

Ao treinar a força, precisamos ter em mente qual é o objetivo desejado no treinamento, se é ganhar massa muscular, ganhar força, ter mais potência, melhorar a resistência, etc., pois em cada sessão ou aula precisa-se ter estabelecido qual será esse objetivo, para que os resultados sejam mais eficientes.

 

Vamos conhecer os regimes e tipos de FORÇA. Primeiro, temos DOIS REGIMES DE FORÇA:

ESTÁTICO: quando é realizado uma contração muscular contínua, isto é, sem realizar movimento. Por exemplo, ao se manter numa determinada postura como a “postura do cavalo” no kung fu.

 

DINÂMICO: quando se realiza contração e relaxamento um após o outro, ou seja, com movimentação articular. São movimentos dinâmicos como flexões de braço, chutes, socos, etc.

No momento, é o regime de FORÇA DINÂMICO que vai nos interessar...

 

Dentro deste regime, existem QUATRO TIPOS DE FORÇA:

 

FORÇA PURA ou MÁXIMA: É a maior sobrecarga possível que um músculo pode suportar. Este tipo de força é normalmente treinado pelos levantadores de peso, que levantam durante alguns segundos o máximo de peso que conseguem.

 

FORÇA DINÂMICA: este tipo de treinamento tem como objetivo aumentar a massa muscular. Utilizado geralmente para fins estéticos e saúde.

 

FORÇA DE RESISTÊNCIA: é o treinamento com menos sobrecarga e com maior tempo de duração dos exercícios. Necessário desenvolver esta capacidade em corredores maratonistas, por exemplo.

FORÇA DE EXPLOSÃO ou RÁPIDA: relacionada à potência muscular, que é a capacidade de exercer um ato de força com a maior energia possível num menor tempo possível. Em boa parte dos esportes é o tipo de força utilizada predominantemente, inclusive nas lutas e artes marciais.

 

No nosso esporte utilizamos, na maioria das vezes, a força de explosão. Num combate é preciso ser forte e rápido ao golpear, esquivar ou contra-atacar o oponente. Na execução das rotinas (katis) os movimentos são baseados nas técnicas de diversos tipos de golpes, portanto devem ser executados com velocidade e firmeza também.

 

Na terceira e última parte do artigo vamos nos aprofundar mais sobre a força nas lutas e artes marciais...

 

 

 Força nas Lutas e Artes Marciais

É a FORÇA DE EXPLOSÃO o tipo de força predominantemente utilizado na prática das lutas e artes marciais: é necessária uma ação rápida no combate, atacando com força e velocidade; na execução das rotinas (katis) o objetivo é executar os movimentos de maneira rápida e firme. Durante uma luta ou na rotina existem momentos de tensão (desferimento de golpes, saltos) e relaxamento (postura de guarda no combate esperando o momento de ataque, pausas nas posturas ou movimentos mais lentos durante a rotina), ou seja, é um tipo de força que exige manter o trabalho num curto período de tempo e precisa de intervalos para recuperação.

 

As células dos músculos são chamadas de FIBRAS MUSCULARES. Ao desenvolver a força de explosão estamos treinando alguns tipos de fibra musculares específicas, que são conhecidas como FIBRAS RÁPIDAS (Tipos IIa e IIx). Além destas, existem as FIBRAS LENTAS (Tipo I). Todos os músculos são compostos por estes 3 tipos de fibras, e a proporção delas depende da nossa constituição genética e também do tipo de exercícios que praticamos. Basicamente, as FIBRAS RÁPIDAS são acionadas quando realizamos movimentos breves de força e explosão; já as FIBRAS LENTAS são mais recrutadas quando realizamos exercícios de resistência, com baixa sobrecarga, repetitivos e num maior período de tempo.

 

Portanto, um TREINAMENTO para melhorar a FORÇA DE EXPLOSÃO deve ser realizado de maneira semelhante aos movimentos executados numa luta ou nos katis: os EXERCÍCIOS devem ser EXECUTADOS com MAIOR VELOCIDADE, com PESO MODERADO e com INTERVALOS DE TEMPO suficientes para RECUPERAR as fontes de energia do MÚSCULO. Se um praticante de artes marciais quiser complementar o seu treinamento com musculação, deve deixar bem claro quais são os objetivos para o professor de musculação, para que ele possa planejar o treino de acordo com as necessidades, senão o que poderia ajudar o praticante acabaria atrapalhando seu desenvolvimento dentro da arte marcial.

 

É claro que se trabalham outras capacidades físicas nas artes marciais. Além da FORÇA DE EXPLOSÃO, precisamos desenvolver RESISTÊNCIA para conseguir manter o “fôlego” durante uma luta e na execução de rotinas mais longas, sem falar na flexibilidade e etc. E dependendo da modalidade que se pratica, o desenvolvimento de alguma capacidade física vai predominar mais do que a outra. Vamos observar alguns exemplos nas artes marciais chinesas:

 

Quem é praticante de rotinas de Cháng Quán (punho longo) basicamente executa muitos saltos e chutes altos, portanto além de força de explosão, precisa desenvolver bastante a flexibilidade.

 

 

 

Um praticante de Nán Quán (punho sul) executa suas rotinas em posturas muito baixas e não é tão rápido nos movimentos, então ele desenvolve mais a força.

 

 

No Tài Jí Quán (tai chi chuan) estilo Yang os movimentos são lentos e contínuos, então a resistência é a capacidade física predominante.

 

 

Para encerrarmos, vamos frisar o seguinte: em qualquer atividade física ou esporte o funcionamento do NOSSO ORGANISMO É DINÂMICO E COMPLEXO, ou seja, trabalhamos o tempo todo uma série de capacidades físicas, motoras, etc., isto sem mencionar os fatores ambientais e psicológicos que influenciam muito nas práticas corporais.

 

E, justamente, a arte marcial é um caminho para compreender que não dá para separarmos o nosso CORPO ou trabalharmos somente alguns aspectos e não outros (quando me refiro ao CORPO, me refiro tanto ao aspecto FÍSICO quanto o MENTAL e também o CULTURAL). Devemos considerar cada aspecto importante e assim buscar o equilíbrio, no nosso desenvolvimento enquanto seres humanos.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBANTI, V.J. Teoria e prática do treinamento desportivo. 2ª Ed. São Paulo, SP: Edgard Blucher, 1997.

POWERS, K.S. HOWLEY, E.T. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 5ª Ed. Barueri: Manole, 2005.

 
 

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